Caminhar é viver a cidade — Parte I

Post escrito em colaboração com Tais Lagranha.

Caminhar é uma das minhas atividades favoritas. Sempre considero ir até um lugar caminhando - e se a distância for até 5 Km é bem provável que o faça. Essa paixão me motivou - e também minha amiga e colega de Mestrado Tais Lagranha, a escrever um artigo sobre a experiência de caminhar na cidade. O objetivo foi inspirar novos projetos de design no contexto urbano para qualificar espaços públicos e a experiência dos usuários na cidade.*

Nós desenvolvemos uma pesquisa exploratória para analisar as práticas e motivações relacionados à experiência do prazer de andar a pé na cidade de Porto Alegre (nossa cidade natal), com pessoas que realizam atividades à pé. Com a pesquisa, identificamos quatro elementos que influenciam a experiência de caminhar:

Descoberta:

  • Está ligado a possibilidade de se relacionar com o entorno e prestar atenção nos detalhes do local;
  • É uma forma de "desbravar" e conhecer melhor a região onde mora ou os bairros que visita.

Praticidade:

  • Está ligado ao desejo de resolver as coisas por si, sem depender dos outros e, principalmente, sem se preocupar com o trânsito, estacionamento, atenção na direção, etc.
  • Pode ser associado a questões externas, como a conveniência e oferta dos bairros compatíveis com o andar a pé, mas também com questões internas, já que há um sentimento positivo por estar fazendo uma escolha sustentável ao caminhar e não usar o carro.

Prazer Estético:

  • Está relacionado a arquitetura e as características do espaço, como o tipo de rua (paralelepípedo ou asfalto), tamanho da calçada, iluminação, limpeza, tipo de fachadas das casas e tamanho dos prédios.
  • Também está relacionado as interferências positivas do vento, do sol, dos cheiros e barulhos. Essa combinação de fatores gera uma sensação de leveza e felicidade, ligada a bem-estar e agradabilidade do espaço.

Pertencimento:

  • Refere-se ao encontro com outras pessoas, vizinhos, comerciantes da região e familiares, que gera a possibilidade de troca e conversa com pessoas semelhantes e interessantes.
  • Também está relacionada ao desejo de pertencer a uma comunidade, isto é, ser visto e reconhecido como uma pessoa da região. A medida que as pessoas optam por caminhar, estão escolhendo se relacionar com os outros moradores também.

Esse entendimento gera uma nova perspectiva para o desenvolvimento de projetos para o território, que possibilita tanto intervenções no espaço físico quanto estratégias para valorização dos aspectos locais (sociais, culturais e simbólicos) de cada bairro. Dessa forma, oferece novos inputs para projetos ou estratégias de intervenções com foco na qualidade da experiência. Mais importante, a pesquisa nos mostra como podemos reconectar as pessoas com a cidade e seu entorno.

No próximo post, mostrei alguns exemplos de iniciativas e serviços em São Paulo que estão promovendo o “caminhar”na cidade

*Para conhecer mais sobre nosso artigo, veja a apresentação realizada no 2013 IASDR - 5th Congress International Association of Societies of Design Research em Tóquio.

Comments

Muito bacana essa pesquisa! Adoro caminhar e acredito que nos conecta muito mais com os arredores. Tem um livro chamado "Caminhar, uma revolução" que li recentemente e achei muito interessante: http://www.livrariamartinseditora.com.br/caminhar-uma-revolucao-p23146

Oi Giovani, muito obrigada pela indicação, não conhecia esse livro. Que bom que vc gostou da pesquisa. Se quiser, posso te passar o artigo publicado com o conteúdo na integra. O problema que só temos a versão em inglês. Um abraço.

Thanks for providing it in multiple languages!

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