Caminhar é viver São Paulo — Parte II

No meu último post, apresentei quatro elementos que estão relacionados ao prazer de andar na cidade de Porto Alegre. Neste post aprofundarei o elemento "Descoberta", que está relacionado a experiência de "desbravar" e conhecer melhor a região onde mora ou os bairros que visita.

Na perspectiva do design territorial uma questão, porém, ainda fica para ser respondida: como usar essa informação para engajar mais pessoas a caminharem? Esse é um desafio ainda maior quando se trata de São Paulo, cidade conhecida por seus grandes problemas de segurança e mobilidade, como engarrafamentos, superlotação no metro, sistema de ônibus ineficiente e suas calçadas não acessíveis.

Por isso, é interessante conhecer iniciativas como o SampaPé, que busca responder a esse desafio por meio de turismo a pé e temático nos bairros de São Paulo. A dinâmica do coletivo é simples: o grupo se encontra em um das estações do metro e caminha pelo bairro escolhido. O percurso é pré-organizado, buscando o inusitado e elementos que definem a identidade da região, incluindo teatros, comidas características, arte urbana, espaços públicos, parques, praças, feiras, etc.

Leticia Sabino, uma das fundadoras do SampaPé, disse que se inspirou na sua própria experiência: ao caminhar pela cidade estava adotando uma forma menos estressante para se deslocar e, aos poucos, estava se apaixonando pela cidade. E sentia necessidade de compartilhar isso com outras pessoas, as convidando para conhecer outros pontos de vista de São Paulo - e não apenas a vista do carro. Bairros como o Centro (conhecido por sua arquitetura), Vila Madalena (cultural), Bixiga (comida), Rua Augusta (diversão) já foram visitados. Qualquer pessoa pode participar dos percursos, que são divulgadas no blog e na fanpage do grupo. Desde 2012, quando o Sampapé foi criado, 25 passeios foram realizados em 10 bairros e com cerca de 800 participantes.

Pessoal, gosto muito do example do SampaPé, porque é uma solução simples, que pode ser replicada em diferentes contextos - não só em outras cidades, mas também numa perspectiva de comunidades (como em escolas, universidades ou como conhecer seus próprios vizinhos). E não demanda melhorias no território (como sinalização ou calçadas melhores) ou investimentos tecnológicos (como aplicativos mobiles). O que você está esperando para promover um tour a pé no seu bairro?

Créditos das fotos: Sampapé - Passeio Cultural no Bixiga

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