Segurança Colaborativa

O Brasil está vivendo um delicado momento com o aumento da violência e com uma sensação generalizada de falta de segurança. Manchetes se repetem em todo o país - roubos, assassinatos, violência no trânsito. Se por um lado, temos um Governo ineficiente sem a força necessária para combater essa insegurança; por outro, vemos uma sociedade impaciente e começando a fazer "justiça com as próprias mãos".

Estamos vendo diferentes movimentos - para o bem e para o mal, onde pessoas estão criando formas criativas de combater a violência. Isso está acontecendo em vários níveis e esferas, porém uma tem chamado minha atenção: o uso da inteligência colaborativa para ajudar na identificação dos problemas.

Este ano, o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade foi morto em uma das manifestações no Rio de Janeiro, enquanto cobria o evento. Rapidamente, a mídia usou essa informação como o primeiro caso de morte nas manifestações. Porém, resultou em uma discussão mais profunda sobre o uso de violência da polícia e dos manifestantes nos protestos. Desde Junho de 2013, houveram mais vítimas que não receberam o mesmo destaque. O Coletivo Centro de Mídia Independente criou a plataforma aberta "Mortos e feridos nos protestos", que em uma linha do tempo os usuários podem compartilhar suas fotos e informações para a identificação de outras vítimas dos protestos.

Outro exemplo de uso desse tipo de plataforma aconteceu no final do ano passado, quando torcedores do Vasco da Gama e do Atlético PR promoveram uma briga generalizada e violenta nas arquibancadas do estádio Arena Joinville, em uma das últimas partidas do Campeonato Brasileiro. Pelo menos quatro torcedores tiveram ferimentos graves. Para ajudar a identificar os participantes da confusão foi criada a plataforma aberta "Identifique os brigões". A ideia era simples: usando fotos divulgadas na mídia ou dos próprios usuários, era possível apontar o perfil do facebook dos "brigões". A plataforma, posteriormente, também foi utilizada para outras brigas em outros estádios.

Em um caso menos extremo, a plataforma aberta "Onde fui roubado" está criando um mapa colaborativo das áreas inseguras das cidades brasileiras. Com uma interface simples, usando os recursos do Google Maps, os usuários podem apontar o local exato do ocorrido, especificar o tipo de roubo (mão armada, furto, etc) e o que foi levado (carro, celular, etc). Os resultados podem ser analisados a partir do uso de filtros.

O que estamos vendo é um senso de co-participação em situações extremas, que pode ser o início de uma nova forma de envolvimento mais propositiva. As iniciativas estão abrindo novas discussões sobre o que está acontecendo no Brasil, mostrando a insatisfação das pessoas e, no futuro, podem apontar para novas soluções preventivas. O lado positivo desse movimento é: a discussão é um tipo de envolvimento que antes não era visto no país. Acredito que veremos mais exemplos desse tipo de plataforma no Brasil em 2014. Qual será o próximo passo?

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