A água acabou, e o que você vai fazer a respeito?

Feche os olhos e imagine o dia em que você irá abrir a torneira da sua casa e simplesmente a água não sairá. Esse é o futuro muito próximo (menos de 40 dias) dos moradores de São Paulo, que estão vivendo uma das maiores crises de água de sua história. O Sistema Cantareira, que abastece boa parte da cidade e região metropolitana, está operando com 5,1% de sua capacidade --que já inclui a segunda cota do volume morto. O Governo de São Paulo já está prevendo um rodízio do uso da água, com corte de abastecimento por cinco dias e dois com uso.

Há dois anos o sistema vinha apresentando um sinal de esgotamento: mesmo com a diminuição das chuvas, estava sendo usado com toda sua capacidade. O Governo Estadual mesmo sabendo desse fato, não criou estratégias sustentáveis para requilibrar o uso do sistema. O Governo Federal não se sentiu responsável e também não apoiou novas medidas ou investimentos de infra estrutura de longo prazo. A Sabesp, órgão responsável pela distribuição de água em São Paulo, também não adotou medidas de curto prazo, como o conserto de vazamentos que levam ao disperdício de 37% da água distribuída. E a maioria da população não se conscientizou da gravidade do problema.

A verdade é que para o sistema ser reequilibrado precisamos de uma grande força tarefa de todos: que começa do cuidado ao desperdício mas exige uma nova relação do brasileiro com a água e com a natureza. Precisamos retomar um cenário de colaboração entre as pessoas e com os sistemas naturais que ainda temos.

Brigar pela água não irá resolver o problema. Precisamos nos preparar para o momento forte de estiagem, coletando água da chuva, armazenando águas reutilizáveis (como da máquina, do banho) e as usando para limpeza da casa, descarga, para regar as plantas, etc; e também pensar em ações de longo prazo que possam ajudar a restabelecer o ecossistema natural da cidade.

O que isso significa? Que nossas atitudes em microescala são muito importantes: cuidando das nascentes, abrindo os rios escondidos, plantando árvores na cidade, despoluindo os rios (ou não poluindo), fazendo telhados verdes, fazendo cisternas e coletando a água da chuva, criando hortas, etc.

E o que eu acredito é que a nossa postura perante a crise fará toda a diferença: podemos escolher viver a crise ou tentar passar por ela de forma propositiva e amorosa. Podemos usar essa crise como uma oportunidade para mudarmos nossa postura: de meros espectadores para agentes de transformação. Qual será sua escolha?

Crédito da foto: Sistema da Cantareira, Creative Commons, Ninja Midia, Novembro de 2014

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