Como manter a segurança pós-copa do mundo?

Carla Link, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 26 agosto 2014

O Brasil é conhecido pela violência e insegurança nas suas grandes cidades e essa era um das principais preocupações em sediar uma Copa do Mundo no país: como criar um ambiente seguro para os milhares de turistas previstos para o evento? Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país é o sétimo colocado no mundo em casos de homicídios.

A FIFA se responsabiliza apenas nas áreas oficiais dos eventos, como os estádios, áreas de torcedores e hotéis das delegações, com a contratação de serviços privados de segurança. Porém, a maior preocupação estava nas ruas e no deslocamento dos torcedores. Segundo as diretrizes da Lei Geral da Copa, o Governo Brasileiro apoiou a união de diferentes forças policiais para garantir a segurança das cidades sedes do Mundial.

Na prática, cada cidade criou seu próprio plano de ação. Curitiba foi considerada umas das capitais mais seguras do período do mundial, a cidade viu suas taxas de criminalidade caírem no período do Mundial. Sua estratégia foi unir o contingente da Polícia Militar, Rodoviária Federal e a Guarda Municipal. Segundo estimativas da própria polícia, nas primeiras semanas da Copa do Mundo haviam cerca de 4 mil policiais nas ruas da cidade e na região metropolitana. Esse número foi possível, ao incluir 2.500 novos contratados e profissionais que orginalmente trabalham em postos administrativos. O número de ocorrências de assaltos e furtos, por exemplo, caiu cerca de 12 por cento no período.

A grande diferença foi a percepção de uma maior presença de policiais nas ruas. No último jogo do Brasil na Copa, que não aconteceu em Curitiba, haviam mais de 100 profissionais no anel central da cidade onde os torcedores comemoravam as vitórias da seleção.

Com o final da Copa do Mundo, porém, os Curitibanos voltaram a sofrer com a violência na cidade. A maioria dos novos policiais foi alocada em postos no interior do estado e outros retornaram para suas funções administrativas. No primeiro final de semana sem o reforço o número de ocorrências de assassinatos, por exemplo, aumentou para 18, contra uma média de 6 no período do Mundial. A cidade já provou que consegue se organizar para grandes eventos temporários, mas como ampliar isso para o cotidiano dos seus moradores?

A estratégia de ampliação de quadro não é sustentável e nem possível pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que não permite que a folha de pagamento de funcionários públicos ultrapasse 40% das receitas líquidas. O grande aprendizado da cidade, foi a ideia de criar "presença", que pode ser repensada por meio de uma ocupação mais inteligente e com o envolvimento de seus próprios moradores.

Foto: Wikipedia

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