Engenharia e consciência social empoderam jovens de Curitiba

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 28 fevereiro 2015

Em 1995, líderes da empresa privada Tibagi Engenharia Construções e Mineração, em Curitiba, decidiram assumir sua responsabilidade social e investir na profissionalização de jovens em vulnerabilidade. Impulsionados pelo sucesso na formação de uma turma inicial de 13 adolescentes em Eletromecânica, passaram a oferecer cursos abertos às comunidades, viraram escola técnica, aliaram-se ao Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, transformaram-se em entidade sem fins lucrativos e consolidaram-se como um imprescindível projeto de promoção social na cidade.

Cerca de 900 alunos já passaram pelos cursos de Eletromecânica, Manutenção Automotiva, Manutenção Industrial, Eletroeletrônica e Assistente Administrativo e Operacional de Produção Industrial do Instituto Tibagi, divididos em duas frentes: Adolescente Aprendiz, para adolescentes de 14 a 17 (formação em 23 meses) e Jovem Aprendiz, direcionada à faixa etária de 18 a 24 (formação em um ano). Todos são gratuitos e realizados em parceria com pessoas físicas, jurídicas, agentes públicos e privados que contribuem com doações financeiras (inclusive por abatimento no imposto de renda), de materiais, empregando os aprendizes ou acionando cursos in company – quando o corpo docente do Instituto é contratado para qualificações dentro de empresas.

O Tibagi investe numa fórmula promissora: alia um programa de ensino completo a uma metodologia cuidadosa, desde a seleção dos alunos. Entre os elegíveis – estar em situação de risco social e frequentar formalmente a escola são requisitos – um grupo do Serviço Social escolhe os perfis mais adequado, após visitas domiciliares, conversas com familiares e verificação de condições econômicas, o que evita desistências (cerca de 73 por cento concluem a formação). Os mesmos funcionários acompanham todo o desenvolvimento do curso, dividido nos núcleos Básico, Profissionalizante e Acompanhamento, os dois últimos realizados dentro de corporações. Obrigatoriamente.

Conforme a Lei do Aprendiz, de 2000, todas as empresas brasileiras de médio e grande porte precisam ter de 5 por cento a 15 por cento de aprendizes em seu quadro de funcionários, e o Tibagi conta com uma extensa e qualificada cartela de associados. Durante a formação, todos os estudantes são necessariamente contratados – com vínculo empregatício, registro na carteira de trabalho e remuneração justa – para completar a capacitação com práticas do mundo do trabalho real. Os assistentes sociais não apenas asseguram que os aspectos legais (carga horária, atribuição de funções...) sejam cumpridos, mas dão apoio psicológico aos jovens, impulsionam sua evolução e integram suas famílias no processo, aumentando as chances de que sejam efetivados após a formatura – é mais vantajoso para as companhias contratar um funcionário que já tenha provado suas competências.

Além de capacitação técnica, o Instituto Tibagi promove uma imprescindível formação humana, que fortalece os jovens como cidadãos conscientes, desenvolvendo sua compreensão da sociedade em que estão inseridos e de seu papel nesse contexto. Integram o currículo: direitos trabalhistas, saúde e segurança no trabalho, educação fiscal, educação para saúde sexual, prevenção ao uso de drogas, diversidade cultural, educação para o consumo, consciência verde, inclusão digital, Estatuto da Criança e do Adolescente, comunicação oral e escrita, raciocínio lógico e relações humanas no trabalho, entre outros. Também são realizadas atividades extracurriculares de convivência social, como hiking e festas, e cursos livres para comunidades carentes (Instalações Elétricas, Gestão de Qualidade Comando de Motores, por exemplo).

Apesar de enfrentar sérios problemas socioeconômicos, Curitiba tem o 10º IDH e um dos menores índices de desemprego do Brasil (cerca de 6 por cento para a população de 15 a 29 anos) e, recentemente, foi apontada como um dos melhores locais para os jovens viverem no país. O Instituto Tibagi – reconhecido com Título de Utilidade Pública Municipal e Estadual e premiado pelo Projeto Legado, que apoia ações transformadoras da sociedade – certamente contribuiu para esse quadro, bastante promissor na realidade brasileira.

Foto: Instituto Tibagi

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