Rede social torna visíveis problemas de infraestrutura antes "invisíveis"

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 23 março 2015

Há um ano, a relação de muitos moradores de Curitiba com a cidade e com o governo municipal mudou. Isso, porque em março de 2014 a Prefeitura embarcou num projeto piloto com o Colab.re – uma rede social que permite aos cidadãos mapear necessidades e falhas em espaços públicos – adotando a plataforma como seu canal oficial de comunicação com a população. Tem funcionado: desde então, cerca de 3 700 interações foram feitas e aproximadamente 1 450 casos referentes a iluminação, saneamento básico, calçadas e trânsito, entre outros, foram resolvidos.

O Colab.re pode ser acessado pelo computador ou pelo smartphone utilizando-se uma conta no Facebook. São três funcionalidades principais: fiscalizar (apontar problemas), propor (soluções) e avaliar (o funcionamento de serviços já implementados – por hora, especificamente em aeroportos, rodoviárias ou estádios). A metodologia é semelhante às de outras mídias sociais: você adiciona uma foto, indica o endereço (georreferenciado), descreve o que foi verificado e completa classificando o post de acordo com categorias fixas apresentadas, como Transporte, Saúde e Segurança. Nas avaliações, existe ainda uma ferramenta para dar nota (de uma a cinco estrelas) nos quesitos Infraestrutura, Qualidade Geral, Segurança, Acesso e Limpeza.

Todas as publicações ficam visíveis em uma timeline geral, onde os usuários podem apoiar, comentar e compartilhar o conteúdo por e-mail, SMS, Messenger e pelo próprio Facebook. Há também um recurso de mapas, que apresenta as ações realizadas por tema, localidade ou período.

Enquanto os moradores se manifestam, o Colab.re sistematiza as informações, que recebem um número de protocolo. Simultaneamente, uma equipe do Departamento de Internet e Mídias Sociais da Secretaria Municipal da Comunicação Social monitora o fluxo em tempo real e repassa os casos às Secretarias competentes. Após uma análise inicial, então elabora respostas e planos de intervenção em parceria com os responsáveis.

Segundo a analista de mídias sociais da instituição, Carla Braga, apesar da enorme disparidade entre o imediatismo da internet e o tempo da burocracia governamental, o Colab.re aumentou a agilidade nos atendimentos. Para ilustrar, quando há um fluxos intensos de comentários vindo da mesma região ao mesmo tempo, é fácil identificá-los e enviar equipes de emergência. Mas os benefícios vão além disso.

Em primeiro lugar, sua utilização tornou visíveis (qualitativa e quantitativamente) problemas anteriormente "invisíveis", que ficavam restritos a determinadas regiões – o que consequentemente funciona como um inibidor natural. Pela praticidade, foi um instrumento certeiro para despertar nos indivíduos a consciência de seu papel de guardiões da cidade e lembrá-los de que a voz do povo pode ser uma força transformadora poderosa. Com clareza, diminuiu ainda a distância entre as necessidades dos residentes e a possibilidade de intervenção do poder público, que agora presta contas e firma compromissos aos olhos de todos.

Existe um obstáculo, no entanto, para que todo o potencial do Colab seja usufruído: cerca de 46 por cento dos habitantes do Sul do Brasil ainda não estão conectados à internet, certamente os que mais precisam dele. Talvez isso reforce a relevância do aplicativo, já que ele destaca a importância da inclusão digital – e com visibilidade privilegiada, pois faz parte do Curitiba Cidade Inteligente, iniciativa da Prefeitura para digitalizar e modernizar a capital.

A despeito disso, o contrato entre o Colab.re e o governo Municipal é de cooperação sem custos, não há vinculação política nem qualquer tipo de pagamento – o serviço, desenvolvido por cinco jovens pernambucanos, é sustentado por fundos de investimento para negócios digitais, como o A5 Internet Investments. Em 2013, ele foi eleito pela News Cities Foundation como melhor aplicativo urbano do mundo e acaba de ser apontado como um dos cinco melhores entre 20 mil concorrentes no World Summit Award Mobile.

Foto: Diário de Pernambuco

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