Na luta pela igualdade de gênero no Rio de Janeiro

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 18 setembro 2015

A negociação dos ODMs já é considerada um marco para a diplomacia internacional, por ter forçado o debate a respeito de uma verdade imediata que não pode mais ser ignorada: erradicar a pobreza não é suficiente, é necessário diminuir as desigualdades. Isso inclui, entre outras urgências, promover a igualdade de gênero – questão expressa no texto de forma inédita, o que evidencia o reconhecimento do trabalho de entidades espalhadas pelo mundo que se posicionam de modo claro e consistente nesta luta. Muitas delas estão no Rio de Janeiro, e uma ótima representante é o Fundo Social Elas, único fundo brasileiro de investimento social voltado exclusivamente para mulheres – que queiram desenvolver ações também em benefício do público feminino.

Para promover e fortalecer o protagonismo e a liderança das brasileiras em todas as regiões do país, o Elas mobiliza e soma doações de apoiadores nacionais e de redes internacionais, como Ford Foundation, ONU Mulheres e Instituto Avon, e não apenas investe estes recursos, mas oferece um treinamento 360º em gestão de negócios, com capacitação em áreas como direitos humanos, comunicação, marketing e avaliação de impacto, para citar alguns, e acompanhamento posterior.

A seleção das propostas a serem contempladas se dá por meio de concursos abertos – para concorrer, elas devem se enquadrar em áreas específicas, como "Fim da violência contra mulheres e meninas", "Saúde e direitos sexuais e reprodutivos", "Equidade racial e étnica", "Meio ambiente e desenvolvimento e sustentável", "Autonomia econômica e fim da pobreza" e "Acesso às novas tecnologias". Uma das contempladas é o Loucas da Pedra Lilás, grupo de teatro de rua que trabalha com conscientização; com o apoio do Elas, durante seis meses o time original de atrizes recrutou novas integrantes (trabalhadoras domésticas, profissionais do sexo, estudantes, educadoras), capacitou-as e saiu às ruas de Recife para divulgar que viver sem ser vítima da violência doméstica além de possível, é um direito.

Outro é o Quilombo Asantewaa – que, com a oficina itinerante Ará Odára: Saúde Para as Mulheres Negras, percorreu os bairros periféricos de Salvador distribuindo camisinhas e conhecimentos sobre cuidados com o corpo, sexualidade e prevenção de doenças e de gravidez indesejada –, mas é impossível citar todos. Em 15 anos de atividade, mais de 320 grupos foram apoiados, num investimento de quase sete milhões e meio de reais.

O Fundo Social Elas também participa de seminários, promove cursos abertos e oferece consultorias para empresas privadas – todas as atividades são desenvolvidas com trabalho voluntário (da capacitação, passando pela produção de campanhas, traduções e atividades administrativas – toda ajuda é bem–vinda) –, e abre todos os seus demonstrativos financeiros. Além de entender que as mulheres são importantes agentes de transformação e precisam de iniciativas pontuais que liquidem uma injustiça cometida durantes séculos e que perdura, o Elas sabe que esse cenário só mudará com colaboração e transparência. Se os Estados-membro da ONU seguirem seu exemplo e fizerem metade, poderemos comemorar.

Foto: Empresas e Negócios.

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