Elétricos Compartilhados

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 19 abril 2016

Curitiba virou referência em mobilidade ao exportar para o mundo o modelo de Bus Rapid Transit (BRT), mas tem visto seu transporte público encolher. No último ano, queda de usuários foi de 8% – a redução média no Brasil foi de 4,2% –, enquanto o número de carros não para de aumentar (é a capital mais motorizada do país), um problema não apenas de tráfego, mas de ecologia, incoerente com seu ideal de cidade sustentável.

Na medida em que investe em soluções para coletivos, como a construção de mais faixas exclusivas para ônibus e de um metrô, a administração pública tem buscado, também, renovar o papel do transporte individual.Ponto alto deste movimento é o projeto Ecoelétrico, que visa à implantação de modais de nova geração, com baixo impacto ambiental, atendendo à política de Mobilidade Urbana Sustentável do município.

Inaugurado em 2014 pela Prefeitura em parceria com a usina hidrelétrica Itaipu Binacional, com a Aliança Renault-Nissan e com o Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA) de Portugal, o Ecoelétricorendeu à capital a maior frota nacional de carros e micro-ônibus totalmente elétricos, que já rodaram mais de 80.000 quilômetros à serviço da Guarda Municipal, da Secretaria Municipal de Trânsito e do Instituto Curitiba de Turismo, poupando as emissões de mais de dez toneladas de CO2.

Em nova fase de implementação, a iniciativa, agora, está em vias dese estenderao transporte da população em geral, em sistema de car-sharing. Para isso, foi aberto, no fim de 2015, um edital de chamamento público, através do qual qualquer pessoa ou entidade, nacional ou internacional, pode apresentar projetos e estudos técnicos para concorrer à licitação. Após a escolha do vencedor, prevista para o próximo mês, será definida a modalidade do contrato, entre parceria público-privada ou concessão.

Até o fim de 2016, 80 carros devem estar disponíveis para locação – retirando de circulação até 800 automóveis particulares. Segundo o plano, eles serão oferecidos em estacionamentos estrategicamente localizados, podendo ser alugados e devolvidos em qualquer um deles, após o pagamento de planos diários, semanais ou mensais, conforme o tempo de uso ou quilômetro rodado.

Além eletropostose totens de recarga multifuncionais, que concentrem serviços válidos aos habitantes, como wi-fi, bicicletas partilhadas e central de informações, o empreendimento prevê, até o fim de 2020, a total integração dos veículos elétricoscom outros modais de transporte público. A ideia é que não seja apenas mais econômico e viável para os moradores do que os veículos particulares, mas que reforce e dissemineo caráter multimodal do sistema de mobilidade local.

Já maduro na Europa, o compartilhamento de carros está recém se delineando no Brasil, e é interessante que esta largada já esteja vinculada a um projeto de zero emissões de CO2. Não resolverá de forma definitiva os problemas de Curitiba, tanto de locomobilidade quanto de sustentabilidade, mas fomenta o debate de soluções inovadoras e localizao automóvel não mais como propriedade, mas como um serviço comum. Talvez um passo importante para que mais pessoas se sintam confortáveis para descartá-lo.

O Ecolétricoé a primeira ação de Curitiba para o cumprimento do compromisso de redução de emissões de gases assinado em Johanesburgo em 2014, e está sendo incentivado por uma política nacional que exime a cobrança de imposto (35%) para a entrada peças e carros elétricos no Brasil. A iniciativa chamou atenção durante COP 20 (no Peru) e, recentemente, foi selecionado para umprojeto de cooperação entre Brasil e Alemanha, a convite da GIZ.

Foto: APEAM

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