Plataforma digital combate desastres ecológicos no Rio

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 30 mayo 2016

O Rio de Janeiro é mundialmente conhecido por ter, em seu território, natureza farta e abundante, de todas as formas: é banhado pelo mar em 155.5 km de extensão, conta com extensa área florestal, montanhas e uma ampla gama de cidades históricas em regiões serranas. Seu solo permeável poderia absorver as fortes chuvas que castigam o estado, porém o que se constata é o comportamento imprevisível da natureza e, especialmente em função da intervenção do homem – desmatamento, poluição, pecuária, agricultura, entre outros –, desdobramentos fatais, principalmente no verão. Todos os anos há deslizamentos, enchentes e desastres ambientais que matam e desabrigam milhares de habitantes.

Desenvolvida pela ALTA Geotecnia, a plataforma GEODECISION promete mapear e analisar possíveis complicadores e determinar, de acordo com o volume de chuva, o risco de áreas da cidade – digitalmente, com tecnologia móvel e em tempo real. Em fase final de desenvolvimento, a ferramenta funciona com três ativos: um software para análise de susceptibilidade e sistemas de alertas a escorregamentos de encostas e enchentes (GD-Analysis v1.1), voltado para áreas urbanas e obras lineares; um aplicativo móvel para cadastro orientado de inventários de movimentos de massa e vistorias de campo (GD-Mobile); e um servidor-web que integra os dados e análises e facilita a gestão dos eventos em tempo real (GD-Data).

A GEODECISION emprega dois métodos de cálculo no software GD-Analysis: a análise dinâmica, que determina os fatores de segurança de cada área empregando propriedades geoambientais do terreno e dados de chuvas em tempo real, e a análise estática, que determina, de forma qualitativa, a susceptibilidade de deslizamentos de terra em função do cruzamento de dados de mapas temáticos. Em caso de desastre iminente, o alerta à comunidade pode ser enviado através de SMS rapidamente.

Com escala de detalhes voltadas para bairros e comunidades vulneráveis, a empresa já serve ao Centro de Operação e Defesa Civil. Com sua implementação definitiva, estes terão condições de trabalhar as vistorias de campo com mais agilidade, calcular os riscos de deslizamentos de terra com eficiência e tomar decisões com embasamento geológico-geotécnico. O objetivo é usar a tecnologia para tentar anteceder, tanto quanto possível, potenciais desastres, a fim tornar viável as ações preventivas. Bombeiros, polícia e instituições terão mais tempo de manobra – por exemplo, mais prazo para realocar cidadãos em perigo.

Nos últimos tempos, a Geotecnia da Alta também tem sido importante para tratar outro grande problema do Rio: o descarte de lixo. O Brasil é o quinto maior produtor de resíduos sólidos do planeta, e cerca de 79 mil toneladas de detritos acabam indo diariamente para lixões informais e ilegais – só no Rio de Janeiro, estima-se que existam 19 grandes vazadouros em funcionamento, sem contar centenas de pequenos, clandestinos nas favelas.

Empregada na expansão do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-NI), em Nova Iguaçu (RJ), a empresa está atuando em todas as fases de implementação – do estudo de viabilidade à manutenção e encerramento – de duas grandes unidades de aterros sanitários, que, graças à sua intervenção, têm expressivamente menos chance de contaminar o solo e o corpo hídrico e, quando forem desativadas, devem deixar as regiões estáveis, preservando a qualidade de vida de milhares de habitantes.

Foto: Trabalho de campo com Geotecnia da Alta

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