Casa, trabalho e comunidade: cooperativa fortalece empreendimentos de habitação popular

Felipe Villela, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 7 setembro 2016

“Além de produzir casas, o que mais deveríamos fazer para tornar empreendimentos de habitação popular economicamente sustentáveis?”, pergunta Luciana Lago, professora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da UFRJ. Ela dedicou sua carreira para o levantamento, estudo e apoio de experiências de autogestão em habitação e economia popular na América do Sul. Agora, prestes a se aposentar da academia ela finalmente está otimista – o MNLM (Movimento Nacional de Luta por Moradia) está espalhando uma rede de solidariedade pelo estado do Rio de Janeiro.

Tudo começou quando um grupo de mulheres pobres decidiu aproveitar as oportunidades de renda no bairro privilegiado aonde foram morar. Não foi fácil ocupar um edifício abandonado no principal distrito de negócios da cidade, mas uma vez que as ameaças de reintegração de posse foram afastadas, elas começaram a usar os cômodos vazios no térreo para promover encontros de sindicatos e outras entidades parceiras. O dinheiro que ganharam vendendo comida nestes eventos permitiu que investissem na construção de uma cozinha industrial. Isto foi em 2008, e Elisete Napoleão lembra que em pouco tempo também estavam vendendo quentinhas. Ela mora na ocupação Manoel Congo desde o começo e, atualmente, é coordenadora nacional do MNLM no estado do Rio de Janeiro.

Em 2012, a Cooperativa Liga Urbana foi formalizada. Desde então, já enfrentaram grandes desafios, como fornecer quatro mil refeições em um único dia para o encontro do Fórum Nacional de Reforma Urbana. Em outra ocasião, forneceram comida para a conferência da ONU Rio+20. Naquele mesmo ano, moradores da Manoel Congo começaram a reformar o seu prédio com apoio financeiro do governo. A cooperativa, então, aproveitou a oportunidade para diversificar suas atividades treinando pedreiros. De acordo com Elisete Napoleão, isto foi um divisor de águas na história do movimento, já que finalmente estavam formando uma equipe de profissionais que poderia atuar em diversos edifícios.

O retrofit da Manoel Congo deve terminar em dezembro, beneficiando 42 famílias. Os pedreiros, no entanto, já estão ocupados trabalhando no prédio da Mariana Crioula, outra ocupação na área central da cidade, que deve abrigar 60 famílias. Os dois edifícios contarão com restaurantes. Em Volta Redonda, cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, 76 famílias compartilham responsabilidade sobre um serviço de buffet sediado na ocupação 9 de Novembro.

Quanto à Luciana Lago, a experiência que a deixa mais animada está acontecendo em Duque de Caxias, município na Região Metropolitana do Rio. Em um terreno de 48 mil m2 ocupado há dois anos, agricultores estão cultivando feijão, quiabo e outros vegetais. O próximo passo na ocupação Solano Trindade é construir o primeiro hortifrúti da Liga Urbana. Ela fica animada em reconhecer que o MNLM “não tem a ver apenas com habitação, mas também com um projeto político que mostra como podemos gerar renda e construir a cidade de forma coletiva”.
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Foto: Habitação e Cidade

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