Descentralização, Empoderamento e Participação para uma nova agenda urbana

Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 31 outubro 2016

Administradora especialista em Relações Internacionais e Terceiro Setor e mestre em Organizações e Desenvolvimento, Grace Chiara Schmidt é coordenadora do CIFAL Curitiba – Centro Internacional de Formação de Atores Locais para a América Latina, uma iniciativa do Programa de Cooperação Descentralizada do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa - UNITAR dedicada ao treinamentos e capacitação de representantes de organizações públicas, privadas e do terceiro setor que atuam com desenvolvimento local.

Direto de Quito, ela conversou com o URB.im sobre a Nova Agenda Urbana em discussão na Habitat III e seu impacto na realidade da capital paranaense.

Como se configurou sua participação nas discussões pré-Habitat III em Curitiba?

Em virtude do engajamento do Sistema Fiep em ações ligadas à ONU, mais especificamente por ser o mantenedor do Centro Internacional de Formação de Atores Locais – CIFAL Curitiba, temos nos envolvido e promovido discussões relacionadas a diversos temas ligados à Nova Agenda Urbana, dentre eles o Boa Tarde Curitiba, realizado em parceria com o UNITAR e o Secretariado da Habitat III.

Que impacto a Nova Agenda Urbana deve ter na cidade e através de quais mecanismos ele pode ser garantido?

A Habitat III está promovendo a discussão de temas relevantes para o desenvolvimento de cidades, tais como os ODS, inclusão, gênero, desenvolvimento econômico, resiliência, mobilidade urbana, segurança. Sem dúvida essas discussões influenciarão as decisões futuras dos líderes da nossa cidade. Contudo, para que esse processo seja garantido, será necessário empoderar e desenvolver capacidades dos atores locais, estimular a colaboração e participação dos setores, das instituições, indivíduos e organizações, além do compromisso dos tomadores de decisão em criar políticas locais que promovam o desenvolvimento sustentável.

Na sua opinião, quais são as prioridades na agenda urbana de Curitiba?

A Administração Municipal de Curitiba vem dedicando crescente preocupação com temas ligados à qualidade de vida dos habitantes, procurando diminuir os riscos de acidentes de trânsito, aumentando a segurança viária, por meio da criação de alternativas que ofereçam soluções tecnológicas inovadoras e ecologicamente amigáveis. Há décadas os administradores municipais vêm ressaltando a necessidade de implementar iniciativas que minimizem o consumo e o desperdício, bem como incentivem a reciclagem dos produtos e a manutenção da limpeza urbana, por meio de programas de conscientização acompanhados de medidas públicas direcionadas e que, em muitos casos, servem de modelo de planejamento urbano.

Quais mecanismos devem ser garantidos à população para participar diretamente da agenda de suas cidades?

Compreendo que uma forma de garantir a implementação da agenda nas cidades dar-se-á por meio do processo participativo, no qual organizações não-governamentais que deem voz a atores locais, minorias, jovens e mulheres, bem como governos e iniciativa privada dialoguem na construção e implementação de políticas público-privadas que promovam o desenvolvimento local de forma coordenada, consistente e duradoura.

Quais são os papeis dos diferentes setores na implementação da nova agenda?

Vejo que uma programação abrangente e complexa, que pretenda administrar o crescimento urbano pelo prazo de uma década, somente pode ser considerada efetiva se contar com a participação não apenas dos líderes globais e locais, mas da sociedade como um todo. As diretrizes estabelecidas na nova agenda global, por conta disso, devem ser pensadas de uma forma que possibilitem a sua aplicação em todos os setores sociais, desde as camadas mais humildes da população que povoam os rincões do planeta, até as camadas mais politizadas e influentes das zonas industrializadas. As políticas públicas e os esforços do setor privado hão de criar metodologias de divulgação e engajamento que envolvam todos elos dos setores produtivos, para que a informação não se perca, mas estabeleça uma conexão entre as dinâmicas da urbanização e o crescimento econômico.

Foto: Francisco Anzola - Flickr: Curitiba Centro

Permalink to this discussion: http://urb.im/c1610
Permalink to this post: http://urb.im/ca1610cup