Prefeitura amplia apoio para projetos de inclusão social por meio da tecnologia

Felipe Villela, Coordenador da Rede em São Paulo
São Paulo, 12 agosto 2016

São Paulo já foi descrita como a “cidade de muros”, “o avesso do avesso do avesso do avesso” . Mesmo assim, nos últimos anos as pessoas voltaram a se reunir em ruas e praças. A prefeitura tenta contribuir com esta transformação oferecendo wifi grátis em espaços públicos, transformando vagas de estacionamento em pequenas praças (os parklets), carros em algumas ruas aos domingos. Mas como encher estes lugares com todo tipo de gente? A estratégia da prefeitura foi apoiar projetos de ONGs para inclusão social por meio da tecnologia, como faz o Programa Redes e Ruas.

“Queremos integrar gente de diferentes origens e com diferentes vulnerabilidades”, explica Priscilla Oliveira, participante do Ponto de Cultura É de Lei. Em 2014, o projeto “Sobrecidades – imagens em trânsito” R$70 mil da prefeitura para realizar oficinas no centro da cidade, onde fica a sede da ONG, e no M’Boi Mirim, Zona Sul.

A ponte entre estes diferentes territórios era feita de fotografias e vídeos. Mensalmente, imagens produzidas pelos participantes no centro eram levadas para a periferia, e vice-versa. Seja no Largo do Paissandú ou a 21 km dali, no Largo da Piraporinha, a ideia era fazer as pessoas ficarem à vontade no espaço público da forma como são, seja com uma questão de saúde mental ou dificuldade de renda. O É de Lei costuma promover ações na interseção entre arte, cultura e redução de danos no uso de drogas entre usuários da rede de saúde mental.

A primeira edição do Redes e Ruas apoiou 1075 atividades em todas as regiões da cidade. Os 142 projetos inscritos, dos quais apenas 59 foram selecionados, eram classificados em três categorias, conforme o tipo de proponente, pessoa física ou jurídica, e a quantidade de territórios aonde faria intervenções.

Em comum, todas as propostas envolveram o aproveitamento de espaços e equipamentos públicos e o uso de tecnologia digital. Para Marizabel de Mello, diretora do Núcleo de Fomentos da Secretaria Municipal de Cultura, o Redes e Ruas conseguiu melhorar a interação entre as três secretarias responsáveis – Cultura, Direitos Humanos e Cidadania,e Serviços, e fortalecer o diálogo com a sociedade. A ideia do programa veio dos encontros “Existe Diálogo em SP”, que conectou fazedores de cultura digital com técnicos do governo.

A segunda edição do Redes e Ruas, no início deste ano, reforçou o foco na produção digital criativa. 235 projetos foram inscritos em quatro categorias: robótica e internet das coisas, midiativismo, intervenção cultural e formação em ferramentas digitais.

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