Grande São Paulo alcança 21 milhões de habitantes mais heterogênea, menos desigual, e muito menos congestionada

Felipe Villela, Coordenador da Rede em São Paulo
São Paulo, 9 setembro 2016

Desde os anos setenta SP é conhecida pela intensa expansão urbana em periferias precárias, enquanto o centro tradicional ficou mais caro e perdeu população. Mas as coisas estão mudando, já que novas centralidades em área periféricas ganham força. Foi o que o professor Eduardo Marques descobriu com uma pesquisa baseada nos censos de 1991, 2000 e 2010, publicada recentemente no livro “A metrópole de São Paulo no século XXI: espaços, heterogeneidades e desigualdades”.

Para fomentar ainda mais a descentralização de oportunidades de trabalho e serviços é preciso melhorar o sistema de transporte, como argumentam Peter Hall e Kathy Pain no seu livro “A metrópole policêntrica”. Isto é o que a prefeitura está tentando fazer desde 2013, quando Fernando Haddad foi eleito.

São Paulo já foi a sétima cidade do mundo com o pior trânsito. Agora, está na 58ª posição entre as 174 cidades incluídas na lista da multinacional de GPS TomTom. O tempo extra de viagem provocado por engarrafamentos caiu de 46% para 29% entre 2013 e 2016, ainda que na última década tenha aumentado o número de carros nas ruas, puxado pelo crescimento generalizado da renda e subsídios para compra de veículos. O pior trânsito do mundo está, atualmente, na Cidade do México, onde usuários enfrentam um tempo extra de viagem de 59%, em média.

Além do tempo de viagem, também caiu o número de acidentes com vítimas fatais ou feridos desde que a velocidade máxima foi reduzida nas principais vias da cidade, no ano passado. A queda chegou a 38,5% – “cidade de muros”maior redução desde 1998.

Tudo isto aconteceu num período em que a prefeitura viu seu orçamento diminuir por causa do crescimento da inflação e do aumento da dívida pública puxada pelos juros altos. Com criatividade, a prefeitura investiu nas intervenções mais baratas: controle de velocidade, novos corredores de ônibus e ciclovias pintadas sobre o pavimento da rua. Em pesquisa divulgada recentemente pelo Ibope, estas ações foram aprovadas, respectivamente, por 51%, 92% e 51% da população.

Apesar dos benefícios, iniciativas como estas incomodam muitos motoristas e tem sido cotidianamente criticadas pelos maiores jornais da cidade e por políticos conservadores, o que mostra como é difícil implementar políticas progressistas em metrópoles do século XXI. O próximo desafio do atual prefeito é superar o discurso de ódio da oposição para vencer as próximas eleições, marcadas para outubro.

Fotos: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas

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